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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

ΑΩ - Hinduísmo:


Ganesha, é o símbolo das soluções lógicas e deve ser interpretado como tal.

Embora o hinduísmo possa ser considerado a religião mais antiga dentre as existentes hoje em dia, o termo é relativamente novo, dando a impressão equivocada de uma fé unificada, com um único conjunto de crenças e práticas religiosas. As origens do hinduísmo remontam à Idade do Ferro, mas a palavra "hinduísmo" é mais um hiperônimo conveniente para denominar a maior parte das religiões do subcontinente indiano. Apesar de apresentarem características em comum, essas religiões diferem bastante quanto à prática, abrangendo uma grande variedade de tradições. Em algumas dessas tradições, a fé manteve-se substancialmente inalterada desde tempos primordiais.

Parvati – representa a unidade de deus e deusa, do homem e da mulher.

Mais de três quartos da população da Índia se diz "hinduísta", mas a definição de um conjunto tão desconexo de credos é mais política do que religiosa. A palavra "hindu" (cuja raiz é a mesma do rio Indo, na Índia) significa "indiano" e diferencia as religiões nativas daquelas introduzidas no país, como Islã, e religiões "desertoras" mais recentes, como o jainismo e o budismo. A dificuldade de definir o hinduísmo foi sintetizada numa sentença normativa do Supremo Tribunal Indiano em 1995:

"...a religião hindu não reconhece profetas, não cultua deuses, não segue dogmas, não acredita em conceitos filosóficos e não professa ritos religiosos de ninguém. Na verdade, o hinduísmo não se limita às características de nenhuma religião ou credo, podendo ser descrito, em termos gerais, como uma forma de vida e nada mais que isso".

Adeptos do Hinduísmo. 

Crenças comuns:

Algumas ideias, porém, são centrais em praticamente todas as vertentes do hinduísmo, sobretudo a noção de samsara (o ciclo de morte e renascimento do atman, a alma) e a crença na possibilidade de moksha, ou libertação desse ciclo infinito. O segredo para atingir essa libertação é resumido na palavra dharma, que costuma ser traduzida como "virtude", "lei natural", "retidão" ou "adequabilidade".
Inevitavelmente, o assunto sujeita-se a um grande número de interpretações, mas existem três formas principais de alcançar o moksha (conhecidas coletivamente como marga): jnana-marga (conhecimento ou insight), karma-marga (bom comportamento) e bhakti-marga (devoção aos deuses). O marga abre espaço para as mais variadas vertentes religiosas praticarem suas tradições, entre rituais, meditação, yoga e devoção diária. 

Conceitos de deus:

Quase todas as ramificações do hinduísmo acreditam na existência de um deus criador supremo, Brahma, que, junto com Vishnu (o preservador) e Shiva (o destruidor), forma a principal trindade, trimurti. Muitas tradições, todavia, têm seus próprios panteões ou acrescentam divindades locais e pessoais ao conjunto. Para confundir um pouco, até os três maiores deuses (e vários outros menores) costumam ter aparências diferentes. E assim, embora possa parecer que o hinduísmo é uma religião politeísta, em muitas tradições seria mais correto dizer que os adeptos acreditam em um "deus" supremo, amparado por divindades menores com poderes especiais e responsabilidades específicas.

Vedas - textos sagrados do hinduísmo.

Textos sagrados:

As diferentes tradições hindus estão todas compiladas nos quatro Vedas, um conjunto de textos sagrados de 1200-900 a. C.. Os Brahmanas, comentários sobre os Vedas, e depois os Upanishads, constituem a base teórica da religião, enquanto outros textos - principalmente os dois poemas épicos indianos, o Mahabharata e o Ramayana - tratam de história, mitologia, religião e filosofia. Uma das principais características das tradições hindus é a tolerância. Em decorrência de invasões, primeiro pelos gregos sob liderança de Alexandre, o Grande, e depois por muçulmanos e cristãos, o hinduísmo sofreu algumas influências.

No entanto, apesar de terem surgido movimentos de reforma como resultado dessas influências, batizar de hinduísmo o conjunto de religiões da Índia lhes deu coesão política e um vínculo nacionalista. Tal medida chegou a um ponto crítico na luta pela independência indiana, no século XX, quando Mahatma Gandhi defendeu o uso da resistência pacífica e desobediência civil como arma, estabelecendo um Índia independente, onde todas as religiões não são apenas toleradas, mas também admitidas.

Fonte: "O Livro das Religiões" - Globo Livros - Páginas: 90 e 91.